“E vieram ter com ele (Jesus), conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele (Jesus) por causa da multidão, descobriram o telhado onde esta e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoado estão os teus pecados” (Marcos 2.3-5).

Essa passagem é constantemente pregada pelos evangelistas e pastores apaixonados pelas belas passagens bíblicas. O texto revela o quanto vale uma boa amizade, o amor fraternal e o desejo de ver o semelhante liberto e curado de suas enfermidades, em paz e desfrutando das benesses dessa vida terrena. Os quatro amigos conduziram o paralítico até a presença de Jesus, não se importando com os obstáculos que surgiram no caminho até o Mestre de Nazaré que se encontrava no interior de sua casa em Cafarnaum. Ninguém permitiu que eles passassem pela porta, nem se quer afastaram-se para que a maca pudesse passar livremente até a presença de Jesus, todavia, eles não se preocuparam com os empecilhos, preferiram o meio mais difícil, mais sacrificial: destelharam a casa onde Jesus estava, mesmo correndo o risco de se machucarem e tornarem a vida do paralítico mais crucial. Não pretendo aqui fazer uma explanação sobre o poder de Cristo, ou mesmo esclarecer a passagem dando ênfase no perdão de pecados e na cura maravilhosa, mas falar dos paralíticos espirituais, ou melhor, orientar aqueles que não conseguem obter êxito na vida ministerial, eclesiástica e muito menos na material e na espiritual. São verdadeiros paralíticos que não conseguem andar com suas próprias pernas. Parece que sofreram de paralisia espiritual, pois nada dá certo em seus projetos e tentativas de realizarem algo. Não foram capazes de tomar o cálcio contido na Bíblia, que torna o crente com capacidade para caminhar firmemente na fé: oração e jejum, meditação e leitura da Palavra de Deus, assiduidade aos cultos e compromisso com a obra do Senhor, proclamando frequentemente o Evangelho de Cristo a toda criatura. Os paralíticos espirituais não conseguem alcançar êxito naquilo que fazem, eles são deficientes, espiritualmente falando; não são capazes de viverem pela fé, nem tão pouco crerem nas promessas do Senhor. Eles publicamente dizem que não tem capacidade para fazer isso ou aquilo, não tem preparo para realizar ou mesmo assumir uma tarefa que requeira fé e trabalho árduo. São fracos, se mostram frouxos na hora da adversidade e são muito dependentes dos outros para se encontrrem com Cristo: são paralíticos espirituais.