Não basta somente ter a trombeta, é preciso também saber tocá-la

“Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha” (1 Coríntios 14.8).

Outro dia ouvi o som musical sendo tirado por alguém que tocava seu instrumento de sopro debaixo de umas árvores. Apurei o ouvido e percebi que se tratava de um jovem que estava sentado em um banco de cimento e com o seu trompete ensaiava alguns toques específicos do meio militar, sons tocados nos quartéis e unidades militares. Ele, exaustivamente procurava se exercitar e fazia lembrar-me dos meus tempos de marinheiro, quando na hora da instrução tinha que executar os movimentos ao toque do corneteiro. As fazer um rápido juízo do fato percebo que não parece fácil conseguir externar essas notas musicais, todavia, a conclusão que chego é que aquele moço estava mais habilidoso do que no mês passado quando o vi pela primeira vez. Sua persistência e a continuidade do exercício estavam deixando-o mais preparado e com uma embocadura capaz de tirar vários sons de modo a fazê-lo sentir-se mais seguro com seu instrumento. Paulo ao fazer referência à trombeta ele tinha em mente o chofar que era usado pelo povo de Israel para chamar o povo a uma concentração, ou alertá-lo de algum perigo inimigo. O chofar era usado para “alertar” os soldados ou grupos de pessoas; e o seu uso para propósitos militares visava fazer comunicações importantes. Podia notificar os soldados que avançassem ou recuassem. Uma batalha poderia ser ganha ou perdida, se o chofar não fosse tocado no momento certo. Se o chofar desse um toque errado os soldados certamente executariam um movimento errado e poderia facilmente perderem uma batalha. Portanto, até mesmo esse instrumento sem vida precisaria ser tocado corretamente, a tropa e os soldados iriam interpretar o som claramente. Outro tanto se verifica no caso dos dons espirituais. Servem eles para dirigir, para advertir, para conciliar. Em caso contrário, os cristãos na igreja se vêem imersos em confusão. E o dom de línguas, sem o acompanhamento da interpretação, é como uma trombeta que emite uma ordem incerta, incompreensível. Se diversos instrumentos destituídos de vida podem levar os homens a compreenderem certas atitudes e sentimentos, reagindo conforme os sons emitidos, ou compreender uma ordem emitida por eles, em ocasião de batalha, então, quão mais expressivo instrumento precisa ser a voz humana, que conta com o apoio da inteligência e até mesmo de dons espirituais concedidos por Deus! Assim equipados, os crentes devem ser capazes de transmitir benefícios a seus ouvintes. Porém, se algum idioma não for compreendido pelos seus ouvintes, perde-se a compreensão da comunicação de idéias, e a voz humana se torna muito menos significativa do que o instrumento musical visto não haver transmitido pensamento ou sentimento nenhum. É preciso saber tocar corretamente o instrumento, ou seja, dá o tom correto, a fim de que os que a ouvem interpretem corretamente o toque. A igreja de Cristo está numa batalha constante e é recomendável que todos se unam e tenham propósitos. Quem não tem propósitos definidos de vida ficará para trás e o Espírito Santo não se alegra com aqueles que se distanciam uns dos outros e ignoram os projetos, o crescimento espiritual, à doutrina ministrada pelo anjo da igreja, e muitas e outras atividades realizadas. Não se conforme somente com o toque de ir à igreja aos domingos, mas apure os ouvidos e obedeça aos demais toques da trombeta, inclusive o chamado para evangelizar, ou seja, cumpra o IDE de Jesus! Lembre-se, Não basta somente ter a trombeta, é preciso também saber tocá-la.

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

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