Carpinteiro de Cristo

“Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?” (Mateus 13.55).

Jesus havia concluído seu discurso as margens do Mar da Galiléia. O capítulo treze de Mateus contêm oito parábolas que são denominadas, em seu conjunto, “os mistérios do reino dos céus”. Dali, Jesus se retirou e foi para Nazaré, sua terra natal, dando assim continuidade a sua tarefa evangelística. Jesus nasceu de uma família muito simples e humilde. Seu pai José tinha como ofício a magnífica profissão de carpinteiro, muito requisitada naqueles tempos. O mestre da Galileia, como era conhecido, também, exerceu o mesmo ofício do pai. A igreja de Cristo não poderia ficar de fora dessa bênção e de igual maneira somos carpinteiros de Jesus e usamos as principais ferramentas para fazermos a obra que nos foi confiada por Ele: a evangelização dos povos e para isso precisamos usar, o martelo, o serrote e a cola. Jesus como um bom profissional da arte da carpintaria jamais deixou de usar com sabedoria e propriedade essas três importantes ferramentas no seu serviço diário. Nós, igreja comprada com seu próprio sangue, fiéis seguidores e seus discípulos, temos por obrigação usarmos as mesmas ferramentas: o martelo, o serrote e a cola. O martelo é símbolo da Palavra de Deus, “Não é a minha Palavra como fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a penha?” (Jr 23.29). Durante três anos as palavras de Jesus bateram como um “martelo” nos corações mais duros e cristalinos da Galileia, Judéia e Samaria, e hoje tem atingido os confins da terra, quando cada um de nós usamos o martelo. Corações que não suportaram as doces palavras de Jesus Cristo e se derreteram como neve atingidos pelo sol da justiça. O martelo quando bate produz vida. O coração da mulher samaritana era duro como pedra, mas ao ouvir Jesus ela se convenceu que ele era um profeta: “…aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salta para a vida eterna. Senhor dá-me dessa água” (João 4.14,15). O martelo quando bate transforma vidas. Maria Madalena experimentou o bater do martelo e aceitou as palavras de Cristo em seu coração: “… Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: ninguém Senhor. E disse-lhe Jesus: nem Eu também te condeno, vai-te e não peques mais” (João 8.1-11). O martelo quando bate salva vidas. Foi assim com Zaqueu, o publicano, que após descer de uma árvore, convenceu-se de que o Messias veio ao mundo com um propósito nobre, a salvação de vidas: “…Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E disse-lhe Jesus: hoje veio salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.9,10). O serrote é outra ferramenta muito utilizada pelo carpinteiro. Ele serve para separar partes. Quando ele é utilizado produz cortes profundos, porém, o pedaço indesejável da madeira é jogado fora. A parte que não serve eu a considero como sendo o pecado, o nódulo que danifica a beleza, o produto do carpinteiro. Quem é que deseja possuir um objeto com remendo, com nódulo? Assim é a vida do crente, ela precisa de pureza, de santificação. O serrote ilustra aqui o poder de Deus, a autoridade do Senhor em se manter irrepreensível, separado da concupiscência do pecado. Com o serrote nas mãos o crente fiel ao seu Senhor tem condições de separar de sua vida as falsas doutrinas, a parte deteriorada do saber: “Examinai tudo. Retende o bem; abstende-vos de toda a aparência do mal” (1 Ts 5.21,22). Certas pessoas julgam que questões de doutrina são de pouca importância, mas pelo exemplo deixado por Jesus, que combatia os erros, se vê que a base fundamental de qualquer obra espiritual é justamente a parte doutrinária. Doutrina não é coisa insignificante, mas sim fundamental. Ela é que separa a parte boa da ruim, o que é puro do que é impuro, e só teremos êxito em fazer o correto se usarmos o serrote deixado por Cristo. Por fim, Cristo também nos deixou outra ferramenta essencial, a cola. Esta serve para unir, para juntar duas partes, logo, na vida cristã eu considero o amor e o perdão como as duas virtudes capazes de colocar duas vidas em perfeita união. Foi o seu amor e o seu perdão que nos atraiu a Ele. Ele deu a sua vida por amor a cada um que nEle crer. Deus nos amou primeiro: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.16-18). Com a sua propriedade de unir, a cola deve ser usada em nossos relacionamentos, bem como o perdão. O amor de Jesus alcançou o cego Bartimeu em Jerico (Marcos 10), bem como perdoou os seus pecados; o amor de Jesus foi tão grande que chorou ao ressuscitar seu amigo Lázaro e tirá-lo da sepultura (João 11); um amor que foi capaz de consolar a pobre viúva de Naim, visto que Ele ressuscitou a seu único filho (Lucas 7.11-17); um amor que perdoou a Maria Madalena (João 8.1-11) e nos alcançou, quando não merecíamos o Seu perdão. Um amor que pode alcançar a todos que dEle se aproximar e aceita-lo como único e suficiente Senhor e Salvador. Meu amado em Cristo, se você pretende ser um carpinteiro de Jesus, então jamais deixe de utilizar as ferramentas principais para a sua vida: o martela, o serrote e a cola.

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

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