“Mas o homem encoberto no coração, no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (1 Pedro 3.4)

O apóstolo Paulo, contemporâneo do apóstolo Pedro, sempre foi preocupado com o homem interior. Para ele o homem exterior tem o seu valor como sendo a matéria feita por Deus e que precisa se alimentar, se vestir e se cuidar para ser usado por Deus em sua perfeita saúde física. Para ele o homem exterior está mortificado e o interior precisa ser renovado a cada dia. Paulo disse aos Coríntios: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.27). Pedro amalgamava o seu pensamento ao de Paulo, pois ele também pensava nas riquezas do homem interior e para ele o coração deste homem deveria ser incorruptível, evidenciando mansidão e paz, que fazem parte do Fruto do Espírito conforme Gálatas 5.22, “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Tenho observado que nestes últimos tempos não são poucas as pessoas cristãs obsecadas pela manutenção física de seus corpos. Tudo fazem para externar a beleza atlética e anatômica. É muito admirável quando vemos uma pessoa preocupada com o seu bem estar, sua saúde e a higidez de seu corpo, porém, é triste quando percebemos que alguns assim o fazem para encantar, despertar, ou mesmo cultuar seu próprio corpo. O perígo reside quando a pessoa procura cultuar a si mesmo e isso tem um nome que desagrada ao Espírito Santo de Deus: o narcisismo. O narcisismo nada mais é do que a paixão por si próprio, ou seja, uma obsessão doentia, onde a pessoa não tem outra atividade que não seja a cuidar do seu próprio corpo em todas as horas do dia e isso é uma prática que não enaltece a alma e o espírito do homem, mas só serve para entristecer ao Espírito Santo. A palavra narcisismo deriva-se de Narciso que remonta a mitologia grega. Tratava-se de um formoso rapaz que tão jovem se suicidou por afogamento por ser ele incapaz de levar a diante a sua paixão por ninfa Eco (uma bela mulher que falava demais e foi amaldiçoada por Zeus e ficou muda). Ele foi amaldiçoado de forma a se apaixonar pela sua própria imagem refletida na água. Nos dias de Paulo muitas pessoas, de ambos os sexos desfilavam em público para mostrar a beleza de seus corpos e isso trouxe sérias preocupações às lideranças da igreja primitiva.  Paulo escrevendo aos Colossenses disse: “E vos vestistes de novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10). O cristão salvo em Cristo jamais deve apresentar o seu corpo para ser venerado por outros, mas cuidar para que ele seja sempre o templo do Espírito Santo e deixar que o homem interior seja mais belo que o exterior, pois só assim o Senhor Deus se alegrar de seus filhos: “O Senhor teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, Ele salvará, Ele se deleitará em ti com alegria, calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3.17). Quando o crente apresenta o seu corpo em sacrifício vivo, Deus se agrada. O perigo de se cultivar a beleza do corpo exterior é que, assim fazendo o crente perderá o gosto e o amor pelo homem interior, onde reside o Fruto do Espírito e com isso acabará por abandonar a sua fé e poderá perder a sua salvação, tão preciosa e conquistada na cruz por Cristo. Evite por tudo ser vaidoso, ao ponto de entristecer ao Espírito Santo. Não deixe de cuidar de seu corpo físico, porém, quando os cuidados estiverem atrapalhando a sua vida espiritual e quando não houver mais tempo para Deus e para a Sua Obra, acenda a luz vermelha e reflita nas palavras de aconselhamento acima, deste pastor amigo que lhe ama muito. Amém!.