Bolso furado (Extraído do volume V, da coleção Nas Asas do Espírito, de autoria do pastor Orcélio)

“Semeais muito e recolheis pouco, comeis, porém, não vos fartais, bebeis, porém, não saciais, vesti-vos, porém, ninguém se aquece e o que recebe salário recebe-o num saco furado” (Ageu 1.6).

Na guerra contra o consumismo, sai perdendo quem não observa preços. Hoje, com mais disponibilidade para conferir os valores dos produtos, ainda não me acostumei a comparar os preços dos produtos a fim de economizar. Ainda estou me adaptando à nova realidade de vida e espero obter lucros num futuro bem próximo e não ter que reclamar que não tenho nenhum real no bolso. É muito comum, hoje em dia, ouvir pessoas reclamarem que não têm dinheiro. Acabei de chegar de viagem e, onde estive, pude ouvir várias vezes a frase: “Não tenho dinheiro” e “Estou duro”. Será, realmente, que as pessoas estão sem dinheiro ou têm, mas não o suficiente para pagar as dívidas? Parece que o bolso de cada um que reclama está furado. Eu, particularmente, não tenho o suficiente para realizar tudo aquilo que gostaria de fazer ou de obter, mas sou grato ao Senhor por tudo que Ele tem me concedido e o pouco parece multiplicar-se. Quando aceitei a Cristo como salvador, tive que me adaptar a uma nova realidade de vida. Tomei conhecimento, pelas Escrituras, de minha obrigação, como salvo de entregar “à casa do tesouro” os dez por cento que não me pertenciam, mas ao Senhor, para manter sua casa e obra: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se ou não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (Mq 3.10). Como a minha alegria, por ter sido alcançado pelo amor de Deus, era grande, meu coração ardia de felicidade pelas novidades que alcançava a cada instante, no novo caminho, não me importei em entregar aquele valor à tesouraria da igreja, além das ofertas a cada culto e das alçadas pelas bênçãos recebidas. Acostumei-me a essa prática de fidelidade e vi que, com o passar dos anos, o numerário entregue não me fazia falta, pois Deus supria todas as coisas. Percebi, de maneira racional, que os meus bolsos, outrora furados, foram costurados pelo Senhor. Tratava-se de um milagre, uma coisa maravilhosa que só entende quem vive uma vida de fé. Com o passar dos anos, adquiri experiências e maturidade cristã para entender que todas as vezes que somos infiéis a Deus nos dízimos e nas ofertas, os nossos bolsos são novamente rasgados e neles não param economia nenhuma. Outro dia eu muito me alegrei ao ouvir um casal de novos convertidos falar da satisfação que é servir a Cristo. A senhora dizia-me: “Pastor, como sou grata a Jesus! Ele me deu condições de abrir uma loja, deixa comigo noventa por cento de todo o lucro e só fica com dez por cento. Isso não é uma bênção?” Claro que sim, respondi. O entendimento sobre o dízimo e as ofertas é uma questão de fé. Quem muito é grato a Deus pela sua salvação e bênçãos alcançadas, é sempre bom cooperador. Eu, certa vez, estava em um ônibus que estava sendo assaltado por quatro indivíduos. Era uma manhã de domingo e eu estava vindo do culto de Ceia do Senhor. O meu filho primogênito, Aldhiney, estava em meu colo. Eu estava ao lado de minha esposa, Eliane, que segurava o outro menor por nome Adriel. Quando o meliante pediu-me o relógio e a carteira com o dinheiro, eu disse-lhe que os meus pertences fora Deus quem me dera e que minha vida e a de minha família pertenciam ao Senhor. Em meio à gritarias e choros, o individuo nada nos levou, mas os passageiros do ônibus, a maioria crentes da igreja onde eu congregava, ficaram revoltados. Alguns me acusaram de imprudente porque coloquei em risco a vida de minha família. Ouvi de tudo naquele início de tarde, porém, fiquei calado. Apenas me manifestei, por alguns segundos, quando um mais exaltado disse-me: “Por que todos nós fomos roubados e o irmão não?” Na hora, só me veio uma palavra e falei com autoridade, alto e em bom som: Porque sou fiel a Deus. Sou dizimista! Houve um silêncio, e a viagem continuou. Acho que naquele momento o Espírito Santo falou a cada coração ali presente: Vocês estão com os bolsos furados.

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

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