“Junto aos rios de Babilônia nos assentamos e choramos lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que há no meio dela, penduramos nossas harpas. Porque aqueles que nos levaram cativos, nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: cantai-nos um dos cânticos de Sião” (Sl 137.1-3).

A Bíblia tem relatos edificantes e também alguns que retratam momentos difíceis e dolorosos pelos quais viveu Israel. Esse fato relatado pelo salmista, sem dúvida, relembra-nos momentos angustiantes quando muitos levitas e muitos dedicados à música deixaram de lado o que mais sabiam fazer para agradar a Deus: tocar seus instrumentos. O período refere-se à época do cativeiro babilônico sofrido por Israel. Os babilônicos, sabendo que os hebreus eram um povo alegre e festeiro, pediram para que os músicos e os cantores tocassem e cantassem melodias da terra de Israel. Os filhos de Abraão, como eram chamados, sabiam que as letras das músicas deles adoravam Jeová, pois falavam dos seus feitos, todavia disseram que não podiam cantar nem tocar, porque estavam deprimidos por estarem longe de sua pátria. Os hebreus eram talentosos na arte musical e tinham uma vocação especial para isso, pois haviam recebido diretamente do Senhor “que habita no meio dos louvores”. Deus tem dado aos seus filhos muitos talentos, a fim de que eles possam os empregar na sua obra, contudo, muitas vezes seus filhos preferem enterrar o talento a ter que trabalhar por ele e dar rendimentos ao Senhor da seara, ao próprio Cristo, Senhor e Salvador eterno. Quando o técnico de um lutador de boxe vê que a luta está perdida, “joga a toalha”, ou seja, dá-se por vencido, a fim de que seu discípulo não apanhe mais. Quando o jogador de futebol decide parar de jogar, vai e “pendura as chuteiras”. De igual modo acontece na igreja. Infelizmente, temos visto muitos cantores e músicos pendurarem os seus instrumentos, por pequenas coisas, a maioria insignificante e banal e, com isso, deixam de ampliar o seu galardão. Orgulhosos e presunçosos, preferem se afastar do local da bênção, não sabendo eles que tudo que adquiriram até hoje – saúde, paz, felicidade, talentos, tudo, tudo – pertence ao Senhor da glória. Todos devemos nos conscientizar de que não existe igreja perfeita, homem perfeito. Todos são passivos de erros e falhas tremendas. Todos são imperfeitos diante de Deus e, por isso, é necessário continuar lutando pela causa nobre do evangelho. Quando o cristão se dedica a Deus, ao louvor, e toca seu instrumento para Ele, está também contribuindo para que muitas vidas se firmem na presença de Deus, sejam despertadas, renovadas e o aceitem como salvador. Quando o cristão abandona o seu instrumento, e negligencia o seu talento, certamente, está entristecendo o Espírito Santo. Quem assim procede, na maioria das vezes, assim o faz por simples capricho ou por orgulho e até mesmo por presunção. Se permanecerem assim, logo, logo, sentir-se-ão como os israelitas no cativeiro babilônico. O apóstolo Paulo combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé. O combate do crente em Jesus não consiste em pendurar sua harpa, seu instrumento, ou até mesmo negligenciar seus talentos. O combate ainda não está concluído, a carreira ainda não acabou, porém, a fé tem ficado de lado, pois, quando ele deixa de fazer, na casa de Deus, aquilo de que gosta de fazer e que agrada o Espírito Santo, faz como fizeram os hebreus do cativeiro que penduraram suas harpas, seus instrumentos. Deus não está preocupado se você sabe ou não tocar com perfeição, mas Ele olha para a sua postura, dedicação e vontade de servi-lo de todo coração. Orquestra, coral, conjunto, mais do que para profissionais, são para servos do Senhor que jamais penduram suas harpas, seus talentos. Muitos penduram seus instrumentos e dizem: “Já chega! O meu tempo já acabou na igreja”. O instrumento na verdade é aposentado, mas os seus donos sabem que no profundo da alma a caminhada não findou. O que o Senhor dirá quando tais cristãos tiverem que prestar contas a Ele pelos talentos que Ele lhes deu e foram negligenciados por orgulho e pela presunção que invadiu o coração de tais pessoas? Ainda é tempo de burilar o talento e apresentá-lo novamente ao Espírito Santo. Assim diz o pregador: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu… Tudo quanto te vier à mão para fazer, fazei conforme as tuas forças, pois na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma” (Ec 3.1 e 9.10). O lugar onde existe o maior número de talentos é no cemitério, pois quantos se vão com os seus talentos e Deus não tira o talento de um e dá para outro, mas dá a cada um o seu próprio talento. O cristão que pendurou sua harpa precisa rever seus conceitos, pois tudo o que ele faz ou deixa de fazer na casa do Senhor, um dia será apresentado diante do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Tudo que se fizer deve ser exclusivamente para a glória de Cristo o qual dá a recompensa a cada um, “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31). Não seja igual àqueles judeus que penduraram suas harpas e seus instrumentos. Olhe para Cristo e recomece a tocar sua harpa, seu instrumento. Reavive os talentos que Deus tem te dado. Amém!