“Porque na muita sabedoria há muito enfado e o que aumenta em ciência, aumenta em tristeza (dor)” (Eclesiastes 1.18).

Percorri, outro dia, vários locais agradáveis, movimentados e cheios de diversão, iguarias, recreação, beleza, arte e outras atrações ignoradas por muitos jovens e adolescentes de hoje. O motivo desse desprezo é porque eles portavam celular, tablet, ipad ou smartphone de última geração e faziam das inovações os seus melhores amigos. Vi pessoas sentadas que não trocavam uma só palavra. Acomodados nos bancos, pareciam felizes. Estavam ali, talvez, porque gostassem ou porque estavam descansando, quem sabe, de alguma caminhada em torno daquele ambiente saturado de beleza e de apelo consumista. Um ao lado do outro, mas comunicação zero. Cada um se divertindo com seu aparelhinho amigo ligado à internet. Estavam “logados” com uma infinidade de pessoas, muitas vezes desocupadas que, no momento, não estavam participando de nenhum culto, devocional ou lendo as Escrituras Sagradas… Tempo perdido. Comunicavam-se, transmitindo e recebendo informações e, a meu ver, não eram das melhores, pois pude deduzir pelos rostos sisudos de alguns. Pobres jovens! Comunicação zero. Isso é muito triste! Vi jovens fazendo refeições em família, uma verdadeira pintura. Pai atento à comida, mãe preocupada com o filho menor, porém o casal de adolescente permitia que a comida esfriasse, pois cada um parava, segundo a segundo, para ver as mensagens que chegavam em seus smartphones. Cenário que de belo ficou triste, pois seria o momento ideal para os pais passarem alguma informação útil, necessária, educativa aos seus filhos, que não estavam nem aí para eles, pois estavam ligados a um mundo tecnológico, da ciência. O tempo de Deus está sendo roubado. De muitos, o “deus celular” já ocupa cerca de 60% do tempo. Por isso, eu afirmo: Isso é muito triste! Vi jovens em roda, em extremo silêncio, entretidos com o que acessavam em seus aparelhos modernos. Poderiam aproveitar o momento agradável e trocarem ideias, falarem de coisas edificantes, realistas, mas o tempo era tomado por um ou outro e-mail, uma mensagem postada em algum site de relacionamento, foto, etc., de modo que a comunicação entre eles era zero. Cada um se interessava pela informação eletrônica e não estavam nem aí para as coisas que giravam em torno deles. Comunicação zero. Isso é muito triste! Vi jovens senhoras e também senhores andando de um lado para outro. Acho que estavam sozinhos, não tinham acompanhante nenhum, a não ser o celular preso ao ouvido. Uma delas parecia nervosa e bastante preocupada com alguma coisa muito séria. Pedi misericórdia a Deus, pois vi que se tratava de uma briga entre cônjuges. Pelos gestos e palavras ásperas, acho que mais um casamento estava se findando. Talvez tudo tenha começado com uma mensagem perniciosa, maliciosa, que chegou por meio dos aparelhos e gerou o ciúme que acabou em briga. Não sei… A comunicação a distância dizia que estavam se distanciando um do outro. Isso é muito triste! Vi crianças, mui pequeninas, que se divertiam com o celular da mãe. De vez em quando, ela pegava o aparelho no chão e colocava em cima da mesa novamente. A criança esboçava um beicinho de choro e então ela dava novamente o celular para a criança se divertir, batendo-o na mesa e apertando as teclas para, em seguida, jogá-lo no chão mais uma vez. O interessante não era essa cena, mas a do pai – Acho que era o pai. Ele não parava um só instante de falar ao telefone. Deduzi que passava alguma orientação para algum funcionário, amigo ou gerente de como proceder diante de um problema, que não sei bem qual era. A mulher talvez tenha ido àquele lugar para conversar, quem sabe, sobre a vida, o futuro dos filhos, o relacionamento deles mesmos, mas o celular do marido parece que, como uma grande muralha, atrapalhava a felicidade daquele jovem casal. Que pena! Pobre geração! Isso é muito triste! Não tenho nada contra celular, ipad, tablet ou smartphones. Eu sou adepto da tecnologia, gosto do avanço da ciência, pois é bíblico, porém, quando esses parasitas estiverem atrapalhando sua vida conjugal, sentimental, espiritual, profissional, etc., saiba com sabedoria usá-los. Sua vida e a de sua família são muito mais importantes. O seu relacionamento com Cristo, a vida devocional, ministerial é vital para você chegar um dia ao céu. Não devemos roubar o tempo de Deus em nossas vidas. Saiba que a comunicação é uma preciosa arte que precisa ser desenvolvida com limites e sabedoria. Só assim, ela nos dará grandes alegrias em vez de tristezas. Isso é edificante!