“E disse um dos seus servos: não, ó rei, meu senhor, mas o profeta Elizeu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas na tua câmara de dormir” (2 Reis 6.12).

Um mestre do xadrez não pensa somente na jogada seguinte, mas medita, pacientemente, procurando visualizar três, quatro ou cinco movimentos à frente, a fim de surpreender o seu adversário. De igual modo são os que confiam no Senhor e encontram-se firmados na fé salvadora. São pessoas que buscam primeiramente as coisas que são de cima e não as terrenas. Quem assim procede tem seus passos conduzidos por Jesus Cristo que, através do seu Espírito Santo, orienta-o em cada passo dado nesta vida, tal como uma jogada realizada no tabuleiro de xadrez. É muito importante para o cristão planejar cada ação que pretende empreender no decorrer de sua vida. Muitos não alcançam sucesso porque não pensam primeiro antes de realizar alguma coisa. O homem sensato não faz as coisas às pressas, não constrói a sua casa sobre a areia, não toma decisões precipitadas, ou seja, em desacordo com a vontade do Pai celestial. Pelo contrário, como um mestre do xadrez, estuda a ação a empreender com bastante diligência, antevendo, com cautela, as possíveis implicações e consequências de sua jogada, até obter a vitória, como o mestre que dá o xeque-mate em seu adversário. Alguns acidentes acorrem na vida do cristão porque ele avança o sinal vermelho. José do Egito poderia ter argumentado firmemente com Potifar, o eunuco de Faraó, e tentar provar sua inocência quanto ao incidente com sua esposa, mas o filho de Jacó deixou o xeque-mate para Deus realizar. Ele confiou em Deus e deixou que o Deus de Jacó, seu pai, provasse sua inocência e conduzisse a sua vida conforme a sua vontade. O verdadeiro mestre do xadrez muitas vezes não termina a partida no mesmo dia, mas posterga a jogada para outro dia. Durante o intervalo, ele estuda todas as possibilidades para surpreender o seu adversário. O cristão não pode agir intempestivamente, mas com sabedoria, oração e meditação. Precisa ouvir a voz do Espírito de Deus antes mesmo de tomar uma decisão. Moisés, diante do dilema do Mar Vermelho, que impedia o povo de chegar à outra margem e temeroso pela aproximação do exército de Faraó, buscou ao Senhor que lhe disse: “… por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta a tua vara e estende a tua mão sobre o mar e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco” (Êxodo 14.15-16). Moisés fez conforme Deus lhe falara e o milagre aconteceu: o Mar Vermelho se abriu e o povo passou em seco. Tomar uma decisão não é coisa difícil, porém, tomá-la segundo a vontade do Senhor, não é algo tão fácil.  O mestre do xadrez muitas vezes utiliza-se do peão, em vez da rainha para ganhar o jogo ou mesmo avançar positivamente em sua jogada. O crente deve fazer o mesmo. São as pequenas coisas que fazem a diferença ou nos dão condições para prosseguirmos para o alvo. O sábio Salomão utilizou-se de quatro pequenas coisas para ensinar-nos o quanto suas lições são edificantes. Ele disse: “Estas quatro coisas são das mais pequenas da terra, mas sábias, bem providas de sabedoria: 1ª) as formigas são um poço impotente, todavia, no verão preparam a sua comida; 2ª) os coelhos são um povo débil, e, contudo, fazem a sua casa nas rochas; 3ª) os gafanhotos não têm rei, e, contudo, todos saem e em bandos se repartem; 4ª) a aranha, que se apanha com as mãos e está nos paços dos reis” (Provérbios 30.24-28). Com as formigas, aprendemos que é preciso trabalhar em união uns com os outros durante todo o verão. Evangelizando, armazenando muita comida através da palavra de Deus para suportar o frio e as intempéries do inverno. Com os coelhos, o ensinamento é sobre a proteção e a sensatez, visto que fazem as suas casas nas rochas, em lugar bem seguro. Jesus, em Mateus 7.24-27, ensina-nos sobre os dois alicerces, e compara o homem que pratica a palavra de Deus (o que constrói a sua casa sobre a rocha) com o que não a pratica, mas é só ouvinte (homem imprudente que constrói a sua casa sobre a areia a qual não resiste a chuva e nem aos ventos fortes que sopram contra ela). O cristão obediente ao Senhor é firmado na rocha, Cristo. Os gafanhotos nos passam a mensagem de intrepidez, determinação e disposição para destruir a seara do inimigo. Mesmo sem uma liderança reconhecida, em bandos, destroem totalmente as lavouras. A igreja de Cristo tem uma seara imensa para conquistar e necessita de poder e força de vontade para enfrentar os obstáculos que o inimigo coloca em seu caminho. Ela precisa ignorar as adversidades e sair como um estrategista destemido, lançando mão do arado e seguindo sempre avante. Por fim, a aranha (ou lagartixa em algumas versões) segue os passos do rei. De igual modo, o cristão jamais poderá deixar de amar o palácio do rei, ou seja, a casa do Senhor da glória, rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus de Nazaré. O Espírito sente a falta de todos quantos faltam aos trabalhos evangelísticos. O salmista sempre se alegrava quando alguém o convidava para ir à casa de oração: “alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor!” (Salmo 122.1). Não deixe de agir como um mestre do xadrez, ou seja, pense um pouco mais adiante. Isso só acontece quando oramos, temos intimidade com o Espírito Santo e procuramos viver uma vida de santidade. O nosso Deus é o mesmo de Elizeu, não mudou e nem mudará jamais. Elizeu conseguia ver bem mais longe do que os homens de sua época porque tinha comunhão com o seu Deus. Ele conseguia descobrir os segredos estratégicos do inimigo de Israel, o rei da Síria. Ele, também, conseguia ver os exércitos celestiais (2 Rs 6.15-18) sempre prontos para proteger o seu povo e isso lhe dava tranquilidade e confiança para exercer o seu ministério de profeta. Saiba, meu querido irmão em Cristo, que o salvo em Jesus deve agir como um mestre do xadrez!