As quatro pedras restantes, no alforje de Davi!

“E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pô-los no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda; e foi aproximando-se do filisteu. E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.” (1 Sm 17.40,49).

Duas histórias que me fascinam na Bíblia, a de Davi e a de José, filho de Jacó, também conhecido como José do Egito. O relato bíblico diz que Davi apanhou no ribeiro cinco seixos (pedras) e as colocou no alforje, porém, só precisou de uma apenas para derrubar o gigante Golias, o filisteu que humilhou e amaldiçoou a Davi, o qual tombou por terra, sem ter a chance de desembainhar a sua pesada espada. Na trajetória de vida de Davi, e aqui eu penso mais exclusivamente na espiritual, percebe-se claramente que ele foi um homem vitorioso. A vida vitoriosa de Davi começou quando ele aceitou pastorear o rebanho de ovelhas de seu pai Jessé, o belemita. Depois ele começa a tocar a sua harpa e a compor lindos salmos de louvor a Deus. O jovem pastor, também, teve um momento de glória, pois em seu currículo teve que matar um urso e um leão que tentaram se apoderar das ovelhas do rebanho que ele cuidava. Depois, e talvez o mais imponente fato, foi ele ter derrotado o filisteu Golias. Soldado bem treinado e forte que desafiava o exército do Deus vivo, como ele mesmo falou. Com apenas uma pedra e sua funda, Davi derrubou o gigante Golias, o qual caiu por terra e, o jovem guerreiro, subiu sobre ele e lhe cortou a cabeça, usando a própria espada do incircunciso filisteu. Tenho lido sobre as quatro pedras que restaram no surrão de Davi. Trata-se de textos escritos por inúmeros pregadores que afirmam que Davi as guardou para derrotar Isbibenobe, Saffe, Golias, o giteu e outro gigante que cruzou seu caminho, o qual tinha 24 dedos. Na verdade o paradeiro dessas pedras não está registrado na Bíblia. Davi não as usou em sua funda para derrotá-los, mas os venceu com espada, porquanto, ele já se tornara num autêntico e forte guerreiro, capaz de derrotar vários filisteu numa só batalha. Davi não teve como usar as quatro pedras restantes, e não adianta inventar de algum modo, como ele as usou, pois as Escrituras Sagradas não relata o destino delas. Há coisas que não são reveladas. Nesta rápida palavra, aproveito para fazer uma reflexão mais pessoal e apenas perguntaria: Por que Davi não usou as quatro pedras para derrotar os quatro gigantes que se levantaram em seu caminho? E aqui quero pensar em questões espirituais. Que gigantes foram esses que cruzaram as veredas de Davi e provocaram a sua queda e fizeram um estrago em sua vida espiritual, sentimental e familiar, sem que ele conseguisse esboçar nenhum esforço? São els: o adultério, o homicídio de Urias, a crise desordenada no seio de sua família e a falta de autoridade para conduzir determinados assuntos importantes que surgiram. A primeira pedra Davi derrubou o gigante Golias. A segunda pedra ele poderia ter usado para derrotar o gigante chamado “adultério” e não o fez. Davi já tinha sido aclamado rei de Israel e tinha todas as donzelas que ele quisesse para ser sua esposa ou concubina, porém, ele, por não ouvir Deus, nem vigiar e, tão pouco ter dado ouvido ao que a lei de Moisés diz: “E não adulterarás” (Êxodo 20.14; Dt 5.18), acabou infringindo o sétimo mandamento. Davi adulterou com Bate-Seba, a mulher de um dos seus melhores soldados, o heteu Urias. Homem fiel ao rei e que lutava para a preservação do seu povo. (continua amanhã)

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

Comentários no Facebook