“E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pô-los no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda; e foi aproximando-se do filisteu. E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.” (1 Sm 17.40,49).

A quinta pedra que Davi não usou, seria na minha concepção, a que ele deveria usar contra o gigante da falta de autoridade. Davi foi um homem de coragem. A coragem nada mais é do que ter moral forte perante o perigo. Não se intimidar com o inimigo, seja lá qual for e, com bravura e intrepidez enfrentá-lo de cabeça erguida, sem medo. Davi foi um homem corajoso. Coragem é firmeza de espírito para enfrentar situação emocional ou moralmente difícil e isso não faltou a Davi, em determinada fase de sua vida, porém, lhe faltou a autoridade em determinadas ocasiões de seu reinado, para poder ordenar alguma estratégia que pudesse levar o povo a glorificar e exaltar ao Senhor. Em vez disso ele numerou o povo, o que trouxe a ira de Deus sobre ele. Faltou-lhe autoridade para decidir se enfrentaria o exercito de Absalão. Talvez se ele tivesse lutado com as armas divinas contidas em seus salmos, provavelmente teria salvado o jovem e entusiasmado príncipe. Davi não teve autoridade, e esta é a capacidade de se fazer obedecer. Seus filhos, principalmente, Absalão não o obedecia. Davi não usou a sua autoridade de pai e de rei para conter o avanço da promiscuidade dentro de sua casa. Ele não teve autoridade para afastar seu sobrinho Joabe, filho de Zeruia, irmã de Davi, quando ele matou Absalão o filho querido do rei; nem tão pouco teve força e determinação para destituí-lo do comando do exército de Israel quando ele covardemente matou a Abner, filho de Ner, primo do rei Saul e comandante em chefe do exército do rei Saul e amigo de Davi. Davi não teve autoridade para administrar a crise que se instalou em seu lar. É muito importante para a felicidade da família e a paz no lar quando o homem, o sacerdote do lar sabe perfeitamente exercer o seu papel de líder espiritual, pai e esposo fiel e amoroso acima de tudo. Davi, apesar de não ter sabido usar as quatro pedras restantes em seu alforje, contra seus adversários, os gigantes que se levantaram após a morte de Golias: O adultério; O homicídio de Urias; A crise familiar; e a falta de autoridade em determinadas situações de sua vida, ele não deixou de ser considerado o homem segundo o coração de Deus, porquanto, no momento mais crucial de sua vida, ele foi capaz de novamente, obter o perdão do Senhor e manter a comunhão íntima com o Espírito Santo e isso é grandemente percebido quando lemos o Salmos 51: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão. Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça. Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor.” (Salmos 51.7-15).