Você não precisa de guarda-chuva, pois não vai se molhar.

“Além disso, retive de vós a chuva quando ainda faltavam três meses para a ceifa e fiz que chovesse sobre uma cidade, e não chovesse sobre a outra cidade; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, secou-se” (Amós 4.7).

Regressei recentemente do Estado do Rio de Janeiro, de uma cidade no campo onde se consegue contemplar o boi no pasto e ouvir o gorjear dos pássaros, coisas tão difíceis na cidade grande. Ao ler trechos do profeta Amós, deparei-me com esse rico versículo e o Espírito Santo me falou que em minha vida iria chover muitas bênçãos, tal como a chuva que cai em abundância na zona rural.Lendo esse profeta menor, percebe-se plenamente que ele era acostumado às tarefas agrícolas. Sua linguagem era simples, pastoreava rebanho miúdo e cultivava sicômoros, uma árvore da família da figueira, cujo fruto é saudável e doce.É muito comum, num grupo de pessoas, ver que uns têm mais bens do que outros. Há os que não possuem tanta coisa, que vivem uma vida pacata e se contentam com aquilo que adquiriram ao longo da vida e não cessam de agradecer ao Senhor pelo pouco que possuem. Já outros esbanjam o que adquiriram e ostentam riquezas, sem sequer agradecer a Deus por tudo que angariaram, como se o Senhor nada tivesse a ver com suas vidas e com seus bens. Há uma parábola, no capítulo dezesseis do evangelho de Lucas, “o rico e Lázaro”, que traduz bem o que aqui escrevo.Ouvi um pregador falar, no momento mais empolgante de sua homilia, que “muitos não recebem as bênçãos espirituais porque estão usando guarda-chuva, de modo que as bênçãos de Deus não caem sobre os que usam tal utensílio”.A chuva de Deus, a chuva espiritual à qual aquele pregador se referia, é semelhante ao que acontecia no tempo do profeta Amós. Ele profetizou para o povo de Israel e disse que a chuva foi retida por Deus, quando ainda faltavam três meses para a ceifa, no momento em que a lavoura precisava mais de água para produzir. Além do mais, Deus fez chover sobre uma cidade e outra não, sobre um campo e outro não de modo que houvessem campos produtivos e outros não, mas ressequidos numa terra seca e improdutiva. Muitos recebem porção dobrada da parte do Senhor e outros só um pouco. Quem muito busca, muito recebe e quem pouco busca, pouco recebe.Será que acontece, no contexto espiritual do cristão, da mesma maneira como Amós relatou a mensagem de Jeová? Será que todos são merecedores de desfrutar a shequinah (glória) de Deus? Será que Deus distribui sua palavra, suas bênçãos, seus dons de forma desproporcional, fazendo acepção de pessoas?De maneira nenhuma.Cada cristão deve saber buscar ao Senhor conforme as suas forças e de acordo com as suas necessidades. Quem quer receber mais de Deus precisa ser o mais íntimo dEle, deve fazer a sua vontade e buscá-lo com sinceridade de coração. A Bíblia diz: “Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós” (Oséias 10.12). “Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era entendido nas visões de Deus; e nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar” (2 Cr 26.5). E mais: “Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado” (Ageu 1.6).Saiba, querido leitor, que o Pai celestial quer fazer chover em seu coração, em seu lar, em seu trabalho, em todos lugares que a planta de seus pés tocar, porém, Ele quer que você, tão somente, o abra para Ele entrar. Feche o guarda-chuva e deixe chover as bênçãos sobre a tua vida e de tua família.Deixe Deus te molhar mesmo!

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

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