Não precisamos de outra REFORMA, mas de TRANSFORMAÇÃO

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2).

Lendo a epístola de Paulo aos romanos sinto-me deveras animado para escrever esta palavra de incentivo a todos quantos amam a Palavra de Deus e rendem graças ao Senhor neste dia 31 de outro, quando nós evangélicos comemoramos os 500 anos da Reforma Protestante em todo o mundo. Paulo disse: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5.1). Graça ao bom Deus que fomos alcançados pela justificação divina.

Martinho Lutero, monge agostiniano, no dia 31 de outubro de 1517, num ato heroico e intrépido, cheio de ousadia e determinação, afixa na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, 95 teses que criticavam a conduta da Igreja romana. Os textos denunciavam a deturpação do Evangelho de Jesus Cristo, a venda de indulgências, a corrupção, o enriquecimento ilícito por parte do clero e a falta do celibato clerical. Além das denúncias, chamava-se o cristão ao arrependimento e à fé.

Em suas homílias Lutero dizia claramente que somente a fé no Deus todo poderoso é que salvava as pessoas, quer fossem elas pobres ou ricas. Tal mensagem evangelística contrariou a cúpula da igreja católica apostólica romana, que tinha difundido ao mundo de então que a salvação era por intermédio da venda de indulgências. O povo por sua vez acomodava-se na interpretação da liderança papal e eclesiástica de então, que oferecia ao povo a expiação da culpa por meio da contrição e penitência.

Martinho Lutero não entendia muito bem a graça salvadora de Cristo, todavia, depois que a ele foi revelado o verdadeiro significado da salvação, ele não teve outra saída a não ser denunciar, e foi por intermédio das citadas teses que ele se declara contrário ao sistema religioso da época, as mesmas deram origem a um movimento de ruptura que levou à criação de uma nova religião cristã, o Luteranismo, que foi identificado como sendo um movimento protestante em relação a igreja vigente à época, a Igreja Católica Apostólica Romana, dai o nome “Protestante”.

A Alemanha do começo do século XVI não era unificada como a que conhecemos hoje. A nobreza constituía a camada social dominante e o clero, composto por padres, monges e bispos, dominava o contexto religioso. A situação econômica era de certa forma caótica e para piorar os padres indulgentes começaram a vender ostensivamente documentos expiatórios aos empobrecidos camponeses alemães.

Foi dentro deste contexto que surgiu Martinho Lutero que recebeu de imediato o apoio de praticamente todos os setores da sociedade alemã. O papa da época era Leão X que, imediatamente exigiu que o monge se arrependesse e se retratasse com a igreja. Lutero negou-se e foi excomungado pelo papa. Tal fato contribuiu para que inúmeros nobres alemães se desligassem da igreja católica romana.

A Reforma Protestante reacendeu a chama do cristianismo, pois através da volta da pregação, colocou Cristo novamente no centro do culto de adoração a Deus. Colocou Cristo como a pessoa única para salvar: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4.12).

A Reforma Protestante resgatou as práticas cristãs dos dias de Paulo e Tiago, pois serviu para que os cristãos pudessem dizer novamente ao mundo que Jesus Cristo é o grande salvador da humanidade. Ela também coloca o cristão como luz e sal no mundo, pois, através do testemunho firme e santo, ele anuncia as boas novas de salvação a todos quantos creem no nome de Cristo.

500 anos da Reforma Protestante, anos de vitórias, anos de ricas bênçãos. Hoje a igreja de Cristo está apática, desmotivada, desanimada em seu exercício missionário de pregar o evangelho e muitos ministros do evangelho clamam por outra REFORMA, em vez de lutar para mudar o quadro caótico de desinteresse pelo cumprimento do IDE de Jesus.

O que a igreja moderna precisa não é de outra Reforma, mas de ser transformada e procurar viver uma vida de santidade e fidelidade moral e espiritual, de modo que os milagres, as conversões e a vida cristã saudável tornem a fazer parte da vida de cada crente em Jesus Cristo, para que o Espírito Santo volte a atuar poderosamente no meio evangélico e todos possam fazer a vontade de Deus.

Parabéns a todos que lutaram e lutam até hoje pela causa do Evangelho de Cristo.

Pr. Orcélio Amâncio

Pr. Orcélio Amâncio

José Orcélio de Almeida Amâncio é o atual pastor presidente da igreja Evangélica Assembleia de Deus, igreja do Novo Milênio, localizada no Núcleo Bandeirante, Brasília DF. O pastor Orcélio é formado em letras(português-hebraico) pela universidade Estadual do Rio de Janeiro, é Bacharel em teologia, realizou o curso na escola de preparação de obreiros evangélicos (EPOE), no Rio de Janeiro, onde foi coordenador do ensino por seis anos; também, possui o curso básico de teologia da FATAD, em Brasília, durante dez anos, lecionou ali a língua hebraica e variadas disciplinas teologicas. É pós-graduado em docência do ensino superior pela faculdade Albert Einstein (FALBE) de Brasília DF.

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