“E viu estar dois barcos junto à praia do lago, e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes”. (Lucas 5.2).

Este cenário aconteceu quando Jesus Cristo, certa ocasião, chegou à beira do lago de Genesaré, o qual faz fronteira entre Israel, Cisjordânia e Jordânia. Conhecido na moderna língua hebraica como Yam Kinneret, recebe ele, biblicamente, o nome de Mar da Galiléia e mar de Tiberíades. Seus principais afluentes são sem dúvida o famoso rio Jordão e o mar Morto.

Imagino que se Jesus falou alguma coisa consigo mesmo sobre o que Ele viu naquele dia, certamente foi: Não estou acreditando no que estou vendo! Referindo-se a atividade dos pescadores, àquela hora do dia lavando as redes de pescaria. Aqueles pescadores não sabiam ao certo do que Jesus seria capaz.

A mensagem que nos passa é que o desânimo, a sensação de frustração e de cansaço haviam tomado conta dos corações daqueles trabalhadores do mar. Lavar as redes é uma atitude rotineira, realizada toda vez que se chega de uma pescaria, pois é preciso colocar as redes para secarem, mas antes deve-se limpá-las.

A ação nos ensina duas lições de vida, uma com conotação positiva outra negativa. Olhando o lado negativo é possível perceber a preocupação dos pescadores por não terem pescado absolutamente nada durante toda à noite. Lavar as redes é sinônimo que a pescaria acabou por hoje; não temos peixe, não tivemos êxito, não conseguimos pegar nenhum peixe, não há motivo para se alegrar, o que daremos para nossos familiares e amigos comerem? Ainda, olhando pelo lado negativo, percebe-se que o ato de lavar as redes, fazendo um paralelo com a nossa vida e ministério evangelístico, aponta para não mais voltar a pescar naquele dia ou em outra ocasião.

Chega, estou cansado de lançar a rede e nenhum peixe pescar! Basta não quero mais saber deste ofício, pois só tive frustrações de ontem para hoje, não quero mais continuar como pescador! Enfim, são muitos os argumentos e as premissas que poderíamos formular em torno deste assunto, porém, não vivemos somente de insucessos, somos mais do que vitoriosos em Cristo Jesus.

O lado bom da coisa é que Jesus estava ali presente e a Sua visão é totalmente diferente da visão dos pescadores. Jesus de imediato já determinou que se afastassem da beira da praia e fossem para o mar alto.

Mar alto fala de aprofundamento no caminho da fé, de vida de oração, de intimidade com Cristo, pois Ele passa a estar em nosso próprio barco, em nossa própria vida.

Mar alto fala de ondas altas, ventos fortes, mas com Ele no barco não podemos temer, somente obedecer. Pedro ficou maravilhado com a presença do Mestre, e depois de ouvi-lo ensinar à multidão, obedeceu-lhe a ordem de se fazer ao mar alto e jogar as redes no mar.

O resultado foi surpreendente, quase que os barcos foram a pique, se não fosse as demais embarcações nas imediações que o ajudaram a puxar as redes. Há momentos em nossas vidas que precisamos fazer uma limpeza para valer nas redes de nosso coração e depois obedecer a voz do Senhor Jesus que nos chama para se fazer ao mar alto e ali nos ensinar coisas grandes que não sabemos.

Muitas vezes a nossa atividade ministerial e evangelística passa por esse momento de dificuldades, porém, é preciso confiar no Senhor, ter fé e esperança de que Ele, somente Ele mudará o curso de nossa derrota, nossa travessia.