“Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios. Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso; Até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles. (Salmos 73.2,3,16 e 17).

Uma das lembranças boas que temos em nossa casa é justamente o álbum de fotografias. Nele se acham recordações de nossos antepassados, como avós, bisavós, de nossos pais ainda jovens, quando eles se casaram, quando celebraram as bodas de prata, de ouro e, também, fotos de pessoas que amamos muito e que nunca são esquecidas de nossas mentes, nem jamais cortadas de nosso álbum familiar.

As fotos tiradas de nossa juventude ali estão também, umas conservam quase todos os traços fisionômicos, outras não, mas está tudo lá e até nos emocionamos quando folheamos o álbum demoradamente.

O álbum de fotografias de Asafe não existe, como o de Cristo, também, mas podemos imaginar como seriam essas imagens, somente vislumbrando os cenários contidos na Bíblia. Passando os olhos no salmo setenta e três é possível ver ali uma cena que, certamente, dariam duas fotos impressionantes tiradas de dois momentos que marcaram a vida de Asafe.

A primeira marcada pelo seu semblante triste, porquanto seus pés estavam desviando-se do caminho de Deus e a outra depois que ele entra no Santuário do Altíssimo e reconhece que não se deve olhar para o mundo de então, nem para a vida de ninguém, quer seja crente ou não, principalmente comparar a riqueza do injusto, do homem sem Deus com o punhado de bens daquele que tem sua vida dirigida e orientada pelo Espírito Santo de Deus.

Falar de Asafe é falar de um grande músico. Seu nome em hebraico significa Cobrador. Ele foi um levita compositor, músico e cantor. Foi um dos principais músicos de Davi: “Estes são, pois, os que Davi constituiu para o ofício do canto na casa do Senhor, depois que a arca teve repouso. E ministravam diante do tabernáculo da tenda da congregação com cantares, até que Salomão edificou a casa do Senhor em Jerusalém; e estiveram, segundo o seu costume, no seu ministério. Estes são, pois, os que ali estavam com seus filhos: dos filhos dos coatitas, Hemã, o cantor, …, filho de Coate, filho de Levi, filho de Israel. E seu irmão Asafe estava à sua direita; e era Asafe filho de Berequias, filho de Siméia” (1 Crônicas 6.31-39).

Asafe compôs doze hinos que fazem parte dos salmos 50, 73-83. Seus filhos  tomaram parte da purificação do Templo: “E dentre os filhos de Elisafã, Sinri e Jeuel; dentre os filhos de Asafe, Zacarias e Matanias” (2 Cr 29.13). Ele foi pai de Joá, um cronista do rei Ezequias, filhos de Acaz, rei de Judá: “E chamaram o rei; e saíram a eles Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista” (2 Reis 18.18).

Asafe foi um músico que procurou enaltecer o nome do Senhor em suas canções: “O Deus poderoso, o Senhor, falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu ocaso” (Salmos 50.1). Mesmo com toda essa intimidade com Deus, Asafe durante uma fase de sua caminhada com o Senhor, enfrentou uma crise espiritual muito grande, a ponto de declarar: “quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos” (Salmos 73.2).

Como Asafe, você pode estar vivendo momentos de dúvidas e quem sabe até tenha pensado em se afastar dos caminhos do Senhor. Assim sendo eu lhe convido a abrir o álbum de fotografias de Asafe e folheá-lo a fim de relembrar como esse levita esteve à beira do precipício e como ele saiu de sua crise espiritual. Vamos contemplar e analisar somente duas fotos: Asafe quase se desviou do caminho da verdade, pois, em vez de administrar o que Deus lhe dera, ele sentiu inveja da prosperidade do ímpio (salmo 73.3); Asafe deixou de glorificar ao Senhor e passou a olhar a glória, a riqueza e a força do ímpio (salmo 73.4); Asafe passou a pensar naquilo que não lhe competia fazer, a justiça com as próprias mãos (salmo 73.6-9).

É maravilhoso quando o homem encontra novamente o caminho da paz, da verdade, da sabedoria, ou seja, a vereda dos justos. Asafe reconquistou a comunhão plena que tinha com o Senhor, o Deus de Israel: “Todavia, estou de contínuo contigo, tu me seguraste pela mão direita” (salmo 73.23). Aleluia!

O grande levita e adorador voltou a andar na direção de Deus, ele disse: “Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória”. Asafe reconheceu que jamais poderia andar sem a orientação do Senhor: “A minha carne e o meu coração desfalecem, mas Deus é a fortaleza do meu coração e a minha porção para sempre” (salmo 73.26). Não se afaste de Deus.

Não olhe para você achando-se um “João ninguém”. Agradeça ao Senhor por tudo que Ele lhe deu e ainda lhe dará. Asafe sempre almejou algo grande, logo, faça isso você também: “Quando eu ocupar o lugar determinado, julgarei retamente”, salmo 75.2).