“E receoso que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27.19).

O que é uma âncora e para que serve? Talvez seja a sua pergunta, e, te digo como marinheiro que sou. A âncora nada mais é do que uma palamenta importante para a embarcação. Esse instrumento náutico tem a finalidade de fixar o navio quando se deseja, temporariamente, mantê-lo numa posição desejada. O navio não pode se lançar ao mar sem que esteja com suas âncoras, sempre prontas para a utilização.

A âncora, por ser um objeto resistente e maciço, tem por objetivo firmar o meio flutuante, de modo, que se o mesmo for acometido por grande tempestade, não possa se mover da posição designada pelo comandante ou piloto.

A história conta que muitos navios foram salvos devido as suas âncoras. O crente, também, possui suas âncoras de sustenção, apoio e firmeza, porquanto, as tempestades que lhe sobreveem durante o curso da vida, se não for contida pela oração, pela meditação nas Escrituras, pela fé e pela esperança da bonança vindoura, então, a pessoa faz naufrágio de sua fé e se distanciará de Deus, indo para o fundo, local chamado por muitos de, “fundo do poço”.

Há muitos crentes que não sabem usar as suas âncoras. Muitas vezes se acomodam, “relaxam” na caminhada cristã e, não atentam para a ordem de Deus: “levantar âncora”, que é a expressão que ordena ao crente sair de onde está, de onde congrega, do emprego, de uma situação adversa, de um estado melancólico, ou do aprisionamento por vícios, enfim, quando Deus manda “levantar âncora” não é para estacionar, mas arribar, suspender e prosseguir avante com o barco a fim de alcançar o porto seguro que é Cristo.

Pelo menos quatro âncoras foram lançadas pelos marinheiros da popa do navio em processo de naufrágio. As ancoras não resolveram a situação e nem impediram que o navio onde estava Paulo naufragasse, a meu ver elas foram lançadas tardiamente. O cristão, não pode deixar a crise se instalar em sua vida para tomar uma atitude. Quando o “Euroaquilão” (vento tempestuoso, violento) que assolou a embarcação onde estava Paulo, se tornou devastador, então, resolveram lançar as âncoras, ai já era tarde demais, não conseguiram salvar o navio.

O cristão deve lançar mão de pelo menos quatro âncoras que ele tem disponível em suas mãos: a âncora da oração, a âncora da meditação da Palavra de Deus, a âncora da fé e a âncora da esperança. Paulo orientando aos tessalonicenses disse-lhes: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). O crente precisa orar sempre e não somente quando a crise se instala em sua vida. Muitas coisas ruins poderiam ser evitadas se a vida cristã do salvo em Cristo fosse cuidada, e aperfeiçoada à base da oração continua.

Assim como a âncora desaparece na água, não permitindo a sua visualização enquanto está em ação, ou melhor, em atividade, de igual forma, deve ser a vida do crente em Jesus Cristo. Ele deve orar para que Deus o veja e não de maneira apresentada para o homem o elogiar. A Bíblia diz: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mateus 6.6).

Outra âncora fundamental para a vitória do crente é a âncora da meditação na Palavra de Deus. A igreja de Cristo de hoje, costuma ler muito a Bíblia e pouco medita nela. A meditação é algo mais profundo, mais íntimo com o Espírito Santo. Quando eu somente leio me desperta o conhecimento, a cultura e me torno capaz e entendido no assunto que li. Quando medito, o Espírito Santo se encarrega de me fazer entender a vontade de Deus, pois me detenho mais na compreensão e, naquilo que Deus quer de mim. A meditação me enche de esperança, de fé e amor. A meditação é capaz de manter a minha fé robusta e o meu ser capaz de suportar a intempéries da vida. Como uma âncora me firma nos propósitos da doutrina contida nas Escrituras.

A terceira âncora capaz de dá vitória ao cristão e mantê-lo firme no caminho da salvação é justamente a âncora da fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. A fé é “O firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.” (Hb 11.1). Fazer naufrágio da fé é uma maneira insensata de viver o Evangelho de Cristo, desprezar o Seu sacrifício na cruz e voltar a pisar com desdém no Sangue de Jesus. Paulo já dizia: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.” (Romanos 1.17). O justo vive realmente da fé.

A última âncora capaz de garantir sucesso e firmeza na estrada que leva ao céu é justamente a âncora da esperança. O escritor aos hebreus diz: “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu.” (Hebreus 6.18-19). Jamais o cristão deverá perder a sua esperança em Deus, na volta de Cristo e também de vê realizado os seus sonhos aqui nesta terra.

Se você caríssimo leitor e irmão em Cristo, atentar para o uso frequente destas quatro âncoras: oração, meditação da Palavra de Deus, fé e esperança, então, você será mais do que vitorioso em Cristo Jesus.