“Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.” (João 11.39).

Este fato ocorreu nos dias de Jesus Cristo na terra, quando ele chegou à Betânia, cujo significado em hebraico é “casa de tâmaras”, cidade natal de Lázaro, Marta e Maria, uma pequena Vila, cerca de 2.775 Km de Jerusalém (João 11.18).

Lázaro havia falecido a aproximadamente quatro dias e de fato, já cheirava mal, porém, quando o Criador da vida surge e toma para si o problema, cumpre-se o que Ele disse para Marta: “…Eu Sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (João 11.25).

Em 1928, Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro, teve seu poema “No Meio do Caminho”, publicado na Revista de Antropofagia. Nele o autor aborda os obstáculos, ou seja, as pedras, que as pessoas encontram na vida.  Dizia ele: “No meio do caminho tinha uma pedra – tinha uma pedra no meio do caminho – tinha uma pedra – no meio do caminho tinha uma pedra… Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra…” – o autor repete a mesma frase, as mesmas palavras várias vezes.

Ora, se há uma pedra no caminho e por ali precisamos passar, podemos ter pelo menos três alternativas: passar por cima, dependendo do tamanho; remover a pedra se houver possibilidade; ou tentar dar a volta se ela for muito grande, e ainda, ignorá-la, deixando-a lá mesmo, inerte e bloqueando a passagem, sendo assim a quarta alternativa. Se ela é o problema, então, não é bom mexer. Esta última é o que faz alguns crentes em Jesus Cristo.

Muitos fazem isso, ignoram o problema. Se Jesus tivesse dado ouvidos a Marta, quando disse: “…Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.”, Ele teria recuado e o problema, que era a própria morte, teria triunfado diante do dono da vida. Porém, “Jesus disse: Tirai a Pedra” – e complementou: “…Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus” (João 11.40).

Quando todos esperavam a ordem de tirar Lázaro do túmulo, pois, o mesmo estava enfaixado com ataduras, disse novamente Jesus: “E tendo dito isso, clamou com grande voz: Lázaro, vem para fora.” (João 11.43). Creio que até hoje ainda ecoa a voz forte e cheia de autoridade de Jesus. Quantas pedras ainda estão obstruindo a felicidade de alguns cristãos? Quantas pedras (problemas) não são hoje retiradas; crises solucionadas, porque as pessoas preferem dar a volta, contorná-las, ignorá-las em vez de enfrentá-las e removê-las do seu caminho?

A Bíblia não aconselha pular a pedra, contornar a pedra, e nem a deixa-la no meio caminho, mas removê-la, retirá-la, desobstruindo assim a passagem. Há situações na vida do cristão que o força a voltar ao início de tudo, ou melhor, recomeçar a trilha novamente, local onde começou o problema, onde principiou as dificuldades, a fim de se remover de uma vez por toda os obstáculos. A Bíblia diz: “Lembra-te de onde caíste!”

O tempo não resolve a crise. O tempo é o tempo que se tem, e nele é preciso ação. O agir em buscar a solução é a atitude mais sensata e que agrada a Deus. Não espere pelo amanhã para retirar a pedra, faça como Jesus fez: “E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor vem e vê… Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao sepulcro; e era uma caverna e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a Pedra.” (João 11.34-39).

Jesus agiu rápido diante da crise. Foi imediato em mandar retirar a pedra do sepulcro. Procure andar de dia, e não à noite. Se a pedra está em seu caminho, então, é sinal de perigo. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: “…não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.” (João 11.9,10). Saiba que há pedras no caminho que têm de ser retiradas pela própria pessoa e não pelos outros ou por Deus.

A pedra colocada no túmulo de Lázaro fez separação entre o morto e a Pedra Viva, Cristo. Se há pedra, ou melhor empecilho entre você e Deus, então, retire-a agora mesmo, para a tua vitória, o teu milagre acontecer. É bem verdade que há pedras que só serão removidas quando tomarmos uma posição diante dEle. E outras há que somente Deus as podem remover.

Abraão deparou-se um dia com a “pedra da provação”, dia em que ele teria que sacrificar o seu filho Isaque a pedido de Deus: “E disse Deus: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gn 22.2). Que luta, que prova, que pedra colocada no caminho de Abraão. Veja o que ele fez pela fé: “E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós.” (Gênesis 22.5).

Às vezes deparamos com a “pedra da inveja” em nosso caminho, como ocorreu com José: “Seus irmãos, pois, o invejavam; seu pai, porém, guardava este negócio no seu coração”. Essa pedra só foi removida quando eles entenderam que José era o Governador de todo o Egito, e que os amava e jamais iria destruí-los, mas perdoá-los, como o fez.

José também teve em seu caminho a “pedra da calúnia”: “Então, falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veio a mim o servo hebreu, que nos trouxeste para escarnecer de mim.” (Gn 39.17). A esposa de Potifar tentou seduzir a José, e como não conseguiu deitar-se com ele, então, o caluniou e ele, por sua vez, foi preso.

Naamã, chefe do exército do rei da Siria, era um grande homem diante do rei. Pessoa de muito respeito, porém tinha ele uma pedreira diante de seu caminho, aquele general era leproso. A pedra chamada “lepra” estava lhe consumindo, lhe tirando a paz e a alegria de viver. Um dia lhe apontaram o caminho da cura, ele procurou o profeta Eliseu e foi curado. Glória a Deus!

Elias, outro profeta abençoado e gigante no fazer a obra de Deus, um dia encontrou também, em seu caminho uma pedra gigantesca, pois o rei Acabe queria prendê-lo e ele fez um acordo com o rei de Israel: “Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.” (1 Reis 18.19). Tudo foi feito pelo rei Acabe, porém, Elias descobriu que o altar do sacrifício tinha fendas, ou seja, havia uma “pedra” no caminho do milagre. Que fez ele? – “Então, Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e reparou o altar do SENHOR, que estava quebrado.” (1 Reis 18.30). Quantos milagres e vitórias deixam de ocorrer na vida de muitos cristãos porque eles não reparam o templo do Espírito Santo, o seu próprio altar, não o mantendo em santificação e honra. Se o cristão quiser o agir de Deus para lhe abençoar, precisa, em primeiro lugar se santificar, manter o seu altar erguido e purificado diante do Senhor Jesus Cristo.

Elias reparou o altar, porém, não sacrificou nele, fez um altar novo, símbolo do novo nascimento, de uma vida separada exclusivamente para Deus: “E Elias tomou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do SENHOR, dizendo: Israel será o teu nome. E com aquelas pedras edificou o altar em nome do SENHOR; depois, fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente.” (1 Reis 18.31,32). Doze pedras foram colocadas para fazer um outro altar. Faça você também um novo altar diante de Deus: “E com aquelas pedras edificou o altar em nome do SENHOR; depois, fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente.” (1 Reis 18.32).